Por que lembrar o Holocausto hoje?
Hoje é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Instituída pela ONU, essa data relembra as atrocidades cometidas pelo regime nazista e destaca a importância de combater o ódio, o racismo e a intolerância.
O Holocausto foi marcado pelo extermínio de milhões de judeus. O período também foi marcado por violências contra pessoas com deficiência, minorias étnicas, opositores políticos e outros grupos. Esse genocídio foi resultado de um projeto político que utilizava discursos de ódio, medo e segregação para justificar crimes e consolidar o poder. Mesmo após o fim do regime nazista, essas ideias e os métodos não desapareceram, eles continuam a permear as sociedades contemporâneas.
A discriminação contra migrantes e refugiados é um exemplo dessa continuidade. Movimentos políticos e lideranças utilizam narrativas que associam a chegada de imigrantes à perda de identidade nacional, trabalho e renda. Esse discurso, alimentado por mentiras e teorias conspiratórias, cria o mito de uma suposta “invasão” que ameaça culturas, economias e famílias. O medo gerado por essas falsas narrativas legitima práticas de exclusão, violência e negação de direitos.
Relembrar o Holocausto nos ensina a identificar como discursos de desumanização ganham força: pela criação de inimigos imaginários, pela manipulação de medos coletivos por meio de propaganda e pela normalização do preconceito.
O respeito às diferenças e a convivência democrática não são apenas valores éticos, mas pilares de uma sociedade verdadeiramente livre. Liberdade não é ausência de leis e regras, ela exige condições que permitam o pleno desenvolvimento das capacidades de todas as pessoas. Discriminação, discursos de ódio e intolerância impedem que todos sejam livres.
Nenhum regime autoritário surge sem um movimento político autoritário por trás. A institucionalização da barbárie exige, antes, a colonização das mentes e dos afetos. Lembrar o Holocausto é um compromisso com a democracia, com o objetivo de evitar que a história se repita, agora como uma farsa.